segunda-feira, 19 de novembro de 2012

CLASSICISMO - Luís Vaz de Camões - UNESP, FUVEST, UNICAMP

As respostas serão comentadas em sala de aula




1. (Unesp) O poema épico de Camões, entre outros ingredientes da epopeia clássica, apresenta o chamado 'maravilhoso', que consiste na intervenção de seres sobrenaturais nas ações narradas. Quando tais seres pertencem ao universo da Mitologia Clássica, diz-se 'maravilhoso pagão'; quando pertencem ao universo do Cristianismo, diz-se 'maravilhoso cristão'. Com base nesta informação,

a) identifique o tipo de 'maravilhoso' presente na oitava de OS LUSÍADAS;

b) comprove sua resposta com exemplos da própria estrofe.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Unesp) A(s) questão(ões) seguintes tomam por base a oitava estrofe do Canto VI de OS LUSÍADAS, de Luís de Camões (1524?-1580), e o poema A ONDA, de Manuel Bandeira (1886-1968).

OS LUSÍADAS, VI, 8

No mais interno fundo das profundas
Cavernas altas, onde o mar se esconde,
Lá donde as ondas saem furibundas,
Quando às iras do vento o mar responde,
Netuno mora e moram as jucundas
Nereidas e outros Deuses do mar, onde
As águas campo deixam às cidades
Que habitam estas úmidas Deidades.
(in: CAMÕES, Luís de. OS LUSÍADAS. Lisboa: Imprensa Nacional, 1971. p.195.)

A  O N D A

  a onda anda
   aonde anda
         a onda?
 a onda ainda
    ainda onda
    ainda anda
          aonde?
        aonde?
a onda a onda
(in: BANDEIRA, Manuel. ESTRELA DA VIDA INTEIRA. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1966. p.286.)

2. Os dois textos apresentados, separados no tempo por quase quatrocentos anos (a primeira edição de OS LUSÍADAS é de 1572), revelam características formais típicas de suas respectivas épocas, mas não deixam de apresentar traços em comum. Releia-os com atenção e:

a) mencione duas características formais típicas da modernidade que se observam no poema A ONDA;

b) aponte um procedimento rítmico presente na estrofe de OS LUSÍADAS que é também empregado no poema de Manuel Bandeira.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.
(Ufscar) Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado,
Assim que só pera mim
Anda o Mundo concertado.
            (Luís de Camões: Ao desconcerto do Mundo. In: RIMAS. OBRA COMPLETA. Rio de Janeiro: Aguilar Editora, 1963, p.475-6.)

3. Este curto poema de Camões compõe-se de partes correspondentes ao destaque dado às personagens (o eu poemático e os outros). Quanto ao significado, o poema baseia-se em antíteses desdobradas, de tal maneira trançadas que parecem refletir o "desconcerto do mundo". Posto isso,

a) identifique a antítese básica do poema e mostre os seus desdobramentos.

b) Explique a composição do texto com base nas rimas.

4. O poema está composto com versos de sete sílabas e na forma conhecida como "esparsa" que, junto com outras, constituía o estoque de formas medievais que muitos poetas clássicos de Portugal, dentre os quais Camões, continuaram usando no século XVI e que se denominavam de "medida velha". Além dessas formas, Camões usou as italianizantes ou clássicas, que se denominavam de "medida nova".

a) Cite outra forma de "medida velha" usada por Camões.

b) Cite duas formas de "medida nova".

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Unesp) JACÓ ENCONTRA-SE COM RAQUEL
            Depois disse Labão a Jacó: Acaso, por seres meu parente, irás servir-me de graça?  Dize-me, qual será o teu salário? Ora Labão tinha duas filhas: Lia, a mais velha, e Raquel, a mais moça. Lia tinha olhos baços, porém Raquel era formosa de porte e de semblante. Jacó amava a Raquel, e disse: Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel. Respondeu Labão: Melhor é que eu te dê, em vez de dá-la a outro homem; fica, pois, comigo.
            Assim, por amor a Raquel, serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava. Disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, pois já venceu o prazo, para que me case com ela. Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar, e deu um banquete. À noite, conduziu a Lia, sua filha, e a entregou a Jacó. E coabitaram. (...) Ao amanhecer, viu que era Lia, por isso disse Jacó a Labão: Que é isso que me fizeste? Não te servi por amor a Raquel?  Por que, pois, me enganaste? Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra, dar-se a mais nova antes da primogênita. Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás.
            Concordou Jacó, e se passou a semana desta; então Labão lhe deu por mulher Raquel, sua filha. (...) E coabitaram. Mas Jacó amava mais a Raquel do que a Lia; e continuou servindo a Labão por outros sete anos.
(Gênesis, 29,15-30) BÍBLIA SAGRADA (Trad. João Ferreira de Almeida.) Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica do Brasil, 1962.

SONETO 88

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi[m] negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: -Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!
CAMÕES. OBRA COMPLETA. Rio de Janeiro: Aguilar, 1963, p. 298.

5. O racionalismo é uma das características mais freqüentes da literatura clássica portuguesa. A logicidade do pensamento quinhentista repercutiu no rigor formal de seus escritores, e no culto à expressão das "verdades eternas", sem que isto implicasse tolhimento da liberdade imaginativa e poética. Com base nestas observações, releia os dois textos apresentados e;
a) aponte um procedimento literário de Camões que comprove o rigor formal do classicismo;
b) indique o dado da passagem bíblica que, por ter sido omitido por Camões, revela a prática da liberdade poética e confere maior carga sentimental ao seu modo de focalizar o mesmo episódio.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.(Unesp)
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

6. A oitava anterior constitui a terceira estrofe de OS LUSÍADAS, de Luís de Camões, poema épico publicado em 1572, obra máxima do Classicismo português. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e fora introduzido na Literatura Portuguesa algumas décadas antes, por Sá de Miranda. Quanto ao conteúdo, o poema OS LUSÍADAS toma como ponto de referência um episódio da História de Portugal. Baseado nestes comentários e em seus próprios conhecimentos, releia a estrofe citada e indique:
a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simplesmente o número de sílabas métricas);
b) o episódio da História de Portugal que serve de núcleo narrativo ao poema.

7. Uma leitura atenta da estrofe citada revela que o conteúdo dos primeiros seis versos é retomado e sintetizado nos últimos dois versos. Interprete a estrofe de acordo com esta observação.

8. (Fuvest) Os paradoxos do sentimento amoroso constituem um dos temas favoritos de sua poesia lírica, exercitada sobretudo nos sonetos.
a) De que poeta se trata?
b) Indique um texto do poeta em que este sentimento contraditório se manifesta.

9. (Fuvest) 
I.
"Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
Como cabeça ali de Europa toda"

II.
"Eis aqui quase cume da cabeça
De Europa toda, o reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa"

III.
"A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado,
O direito é em ângulo disposto
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra, onde afastado,
A mão sustenta, em que se apóia o rosto.

Fita com olhar sphyngico e fatal.
O Ocidente futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal."

Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias 17 e 20 do canto III d' "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, e o texto III é um poema do livro Mensagem, de Fernando Pessoa.
a) A que movimento literário pertence cada um dos autores?
b) De que recurso comum aos dois textos se valem os autores para elaborar a descrição da Europa?

10. (Fuvest) Responda às seguintes questões sobre "Os Lusíadas", de Camões:

a) Identifique o narrador do episódio no qual está inserida a fala do Velho do Restelo.

b) Compare, resumidamente, os principais valores que esse narrador representa, no conjunto de "Os Lusíadas", aos valores defendidos pelo Velho do Restelo, em sua fala.

11. (Unicamp) "Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;"
            (Lírica de Camões, seleção, prefácio e Notas de MASSAUD MOISÉS, S. P., Ed. Cultrix, 1963)

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."
            (SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, "Terror de te amar", em Antologia Poética)

Dos dois textos transcritos, o primeiro é de Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo, de Sophia de Mello Breyner Andresen (século XX). Compare-os, discutindo, através de critérios formais e temáticos, aspectos em que ambos se aproximam e apectos em que ambos se distanciam um do outro.

12. (Unicamp) Leia o seguinte soneto de Camões:

Oh! Como se me alonga, de ano em ano,
a peregrinação cansada minha.
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano.

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha.
Se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde e da esperança.

a) Na primeira estrofe, há uma contraposição expressa pelos verbos "alongar" e "encurtar". A qual deles está associado o cansaço da vida e qual deles se associa à proximidade da morte?

b) Por que se pode afirmar que existe também uma contraposição no interior do primeiro verso da segunda estrofe?

c) A que termo se refere o pronome "ele" da última estrofe?

13. (Unicamp) "Mas um velho, de aspecto venerando,
(...)
A voz pesada um pouco alevantando,
(...)
Tais palavras tirou do experto* peito:
 - Ó glória de mandar, ó vã cobiça.
Desta vaidade a quem chamamos Fama.
Ó Fraudulento gosto, que se atiça
Cua aura popular, que honra se chama."
            (Camões, OS LUSÍADAS, canto IV)

"... e então uma grande voz se levanta, é um labrego** de tanta idade já que o não quiseram, e grita subido a um valado***, que é púlpito dos rústicos. Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça, e tendo assim clamado, veio dar-lhe o quadrilheiro uma cacetada na cabeça, que ali mesmo o deixou por morto."
            (José Saramago, MEMORIAL DO CONVENTO, p.293)
*experto - que tem experiência
**labrego - indivíduo grosseiro, rude, tosco (...)
***valado - elevação de terra que limita propriedade rústica
            (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)

Confrontando os fragmentos anteriores,  percebe-se que MEMORIAL DO CONVENTO dialoga com os clássicos. O episódio do Velho do Restelo, do Canto IV de OS LUSÍADAS, refere-se ao engajamento voluntário dos portugueses na grande empresa que foi a descoberta de novos mundos. Já no MEMORIAL DO CONVENTO, entretanto, o recrutamento para Mafra deu-se, em geral, à força.
a) Cite ao menos uma razão que levou "o rei infame" de MEMORIAL DO CONVENTO a tornar obrigatório o engajamento de todos os operários do reino, quaisquer que fossem suas profissões.
b) Quem era esse "rei infame" a que se refere o trecho citado e em que século essa ação do romance se passa?
c) Aponte, no trecho, ao menos uma passagem que indique a irreverência de Saramago em relação ao texto de Luís de Camões.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Unesp) LÍNGUA PORTUGUESA
                                   Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
                                                           em TARDE (1919)

                                               LÍNGUA
            Caetano Veloso (a Violeta Gervaiseau)

Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões.
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões.
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa,
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade.
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua,
"Minha pátria é minha língua"
- Fala Mangueira!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
                                                            em VELÔ (1984)

14. Além de Luís de Camões, que aparece mencionado nos dois textos, o poema de Caetano menciona outros dois escritores. Cite pelo menos uma obra importante de cada um destes dois literatos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Pucsp) I - Um mover de olhos, brando e piedoso,
    sem ver de quê; um riso brando e honesto,
    quase forçado; um doce e humilde gesto,
    de qualquer alegria duvidoso;
    (...)
    esta foi a celeste formosura
    da minha Circe, e o mágico veneno
    que pôde transformar meu pensamento.
                                               (Luis de Camões)

II - Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
     Numa rede encostada molemente...
     Quase aberto o roupão... solto o cabelo
     E o pé descalço do tapete rente.
                                               (Castro Alves)

III - Um dia ela veio para rede,
      se enroscou nos meus braços,
      me deu um abraço,
      me deu as maminhas
      que eram só minhas.
      A rede virou,
      O mundo afundou.
                                   (Carlos Drummond de Andrade)

15. Os três fragmentos tratam do mesmo tema, ou seja, a figura feminina. Tendo em vista essa temática, assinale a alternativa INCORRETA.
a) O fragmento I trata a figura feminina de maneira idealizada, transfigurada, divinizada, tornando a relação amorosa impossível.
b) O fragmento II trata a figura feminina de maneira humana, carnal, sensual, tornando a relação amorosa possível.
c) O fragmento III trata a figura feminina de maneira humana, carnal, sensual, tornando a relação amorosa materializada.
d) Os três fragmentos representam, respectivamente, a figura feminina em concepções diferenciadas, ou seja, clássica, romântica e moderna.
e) Os três fragmentos, ao retratarem a figura feminina, desviam-se dos princípios literários românticos e modernos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Fuvest-gv) "Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
vede que perigosas seguranças:
que não temo contrastes nem mudanças
andando em bravo mar perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde
vem não sei como e dói não sei porquê."

16. Relido o poema de dois quartetos e dois tercetos com versos decassílabos heróicos e esquema rimático abba - abba - cde - cde, e considerada a elaboração estética da linguagem com que é tratado o tema, assinalar a alternativa que nomeia que tipo de poema é, o seu autor e o movimento literário em que este se enquadra:
a) redondilha Gil Vicente - Humanismo
b) soneto - Camões - Classicismo
c) soneto - Gregório de Matos - Barroco
d) lira - Cláudio Manuel da Costa - Arcadismo
e) lira - Camões - Maneirismo

17. (Fuvest) Na LÍRICA de Camões,
a) o metro usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior.
b) encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.
d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
e) a Mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.

18. (Fuvest)      "Amor é um fogo que arde sem se ver,
            É ferida que dói e não se sente;
            É um contentamento descontente,
            É dor que desatina sem doer."

De poeta muito conhecido, esta é a primeira estrofe de um poema que parece comprazer-se com o paradoxo, enfeixando sensações contraditórias do sentimento humano, se examinadas sob o prisma da razão.
Indique, na relação a seguir, o nome do autor.
a) Bocage.
b) Camilo Pessanha.
c) Gil Vicente.
d) Luís de Camões.
e) Manuel Bandeira.

19. (Fuvest) Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo, em "Os Lusíadas":

I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito.
lI. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um "saber só de experiências feito".
III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou.

Está correto apenas o que afirma em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.

20. (Fuvest) Em "Os Lusíadas", as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum
a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica.
b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.

21. (Mackenzie) Texto1:
"Sôbolos rios que vão
Por Babilônia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
E quanto nela passei."

Texto 2:

"Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento
Escureceu-me o engenho ao tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos.
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos."

Sobre os textos acima, é correto afirmar que:
a) o primeiro faz parte de uma cantiga trovadoresca.
b) ambos pertencem à obra de Camões, sendo o primeiro um exemplo de medida velha e o segundo, de medida nova.
c) o primeiro foi extraído de um auto vicentino e o segundo, de um autor barroco.
d) pertencem ao Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.
e) têm aspectos evidentemente barrocos, fazendo parte, portanto, da lírica de Gregório de Matos.

22. (Mackenzie) Na passagem da Idade Média para o Renascimento, dois escritores portugueses se destacaram, por apresentar características que já previam uma nova tendência filosófica e artística.
Trata-se de:
a) Fernão Lopes e Gil Vicente.
b) Camões e Bocage.
c) D. Dinis e Paio Soares de Taveirós.
d) Pe. Vieira e Gregório de Matos.
e) Garcia de Resende e Aires Teles.

23. (Mackenzie) O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de "Os Lusíadas" aparece em outro momento do poema. Isso acontece no episódio:
a) do Gigante Adamastor.
b) do Velho do Restelo.
c) de Inês de Castro.
d) dos Doze de Inglaterra.
e) do Concílio dos Deuses.

24. (Mackenzie) Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre leões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co'o amor intrínseco e vontade
Naquele por quem morro, criarei
Estas relíquias suas, que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste.

O trecho evidencia características:
a) da poesia trovadoresca.
b) do Barroco português.
c) de um auto vicentino.
d) da poesia lírica de Antero de Quental.
e) da poesia épica camoniana.

25. (Mackenzie) Sobre OS LUSÍADAS, é INCORRETO afirmar que:
a) é dividido em cinco partes e dez cantos.
b) o Canto I contém a introdução, a invocação, a dedicatória e o início da narrativa.
c) a pedido do rei de Melinde, Vasco da Gama conta partes da história de Portugal.
d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a sorte dos portugueses.
e) no Canto X, a fala do Velho de Restelo acusa os portugueses de vaidade e cobiça excessivas.

26. (Pucsp) Tu só, tu, puro amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.

"Os Lusíadas", obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal.
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha.
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português.

27. (Uel) À curiosidade geográfica e humana e ao desejo de conquista e domínio corresponde, inicialmente, o deslumbramento diante da paisagem exótica e exuberante da terra recém-descoberta, testemunhado pelos cronistas portugueses
a) Gonçalves de Magalhães e José de Anchieta.
b) Pero de Magalhães Gândavo e Gabriel Soares de Sousa.
c) Botelho de Oliveira e José de Anchieta.
d) Gabriel Soares de Sousa e Gonçalves de Magalhães.
e) Botelho de Oliveira e Pero de Magalhães Gândavo.

28. (Uflavras) Todas as alternativas são corretas sobre o Padre José de Anchieta, EXCETO:
a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil do século XVI.
b) Foi o grande orador sacro da língua portuguesa, com seus sermões barrocos.
c) Estudou o tupi-guarani, escrevendo uma cartilha sobre a gramática da língua dos nativos.
d) Escreveu tanto uma literatura de caráter informativo como de caráter pedagógico.
e) Suas peças apresentam sempre o duelo entre anjos e diabos.

29. (Ufrs) Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões.

Um mover de olhos, brando e piedoso,
sem ver de quê; um riso brando e honesto,
quase forçado, um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso;

um despejo quieto e vergonhoso;
um desejo gravíssimo e modesto;
um pura bondade manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;

um encolhido ousar, uma brandura;
um medo sem ter culpa, um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento:

 Esta foi a celeste formosura
da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.

Em relação ao poema acima, considere as seguintes afirmações.
I- O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior, idealizando a figura feminina.
II- O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina, assumindo uma atitude de insensibilidade.
III- O poeta sugere o desejo erótico ao referir a figura mitológica de Circe.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.

30. (Unesp) Leia as estrofes seguintes e assinale a alternativa INCORRETA:

"Mas um velho, de aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Com saber só de experiências feito,

Tais palavras tirou do esperto peito:
"Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Com a aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles exprimentas!"
                        (Camões)

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!"
                        (Fernando Pessoa)

a) Através do tema tratado nas estrofes citadas, podemos dizer que as mesmas pertencem a dois grandes poemas épicos da Literatura Portuguesa: OS LUSÍADAS e MENSAGEM.
b) Nessas estrofes, os dois poemas relacionam-se ao mencionarem aspectos negativos das expedições portuguesas.
c) No poema de Camões todas as estrofes apresentam oito versos em decassílabos heróicos; no poema de Pessoa não há a mesma regularidade.
d) Uma das estrofes d'OS LUSÍADAS revela a fala do Velho do Restelo criticando os sentimentos de glória e cobiça na empresa portuguesa.
e) Os dois poemas não podem ser relacionados porque, além de um ser épico e o outro lírico, um pertence ao Renascimento e o outro ao Modernismo.

31. (Fuvest) I.
''Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
            Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
            Toda branca de sol"
II.
"Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça a dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
            Em pálpebra demente."
III.
"Por um lado te vejo como um seio murcho
pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende
                                   [ainda o cordão placentário.
És vermelha como o amor divino
Dentro de ti em pequenas pevides
Palpita a vida prodigiosa
Infinitamente."
IV.
"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada."

Na ordem em que estão transcritos, os fragmentos se enquadram respectivamente nos seguintes movimentos literários:
a) I. Simbolismo, II. Romantismo, III. Modernismo, IV. Classicismo;
b) I. Modernismo, II. Simbolismo, III Classicismo, IV. Romantismo;
c) I. Romantismo, II. Modernismo, III. Simbolismo, IV. Classicismo;
d) I. Classicismo, II. Romantismo, III. Modernismo, IV. Simbolismo;
e) I. Simbolismo, II. Classicismo, III. Romantismo, IV. Modernismo.

Mais questões sobre os Lusíadas

Arcadismo ITA- UNIFESP- UEL- UFSCAR




UEL
"Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza."

Sou pastor; não te nego; os meus montados
            São esses, que aí vês; vivo contente
            Ao trazer entre a relva florescente
            A doce companhia do meu gado.
ITA

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da Cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

Dadas as asserções:

I - O poema manifesta o conflito do poeta, homem nativista provinciano, ligado à terra natal, cuja formação superior deu-se na metrópole.
II - O poema mostra como o autor soube explorar a característica principal do Arcadismo: a celebração da vida urbana pelo intelectual, consciente das dificuldades da vida no campo.
III - O poema manifesta a preocupação do poeta com os problemas sociais da época: transferência de riquezas da colônia para a metrópole, oriundas da pecuária e empobrecimento do homem do campo.

está(ão) correta(s):
a) Apenas a I.
b) Apenas a II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.


UNIFESP
TEXTO I:
"O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita; não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência. (...) Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração.
À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. (...)
Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meio aberta de uma habitação antiga, mas não dilapidada - (...) A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício, que todavia mal se vê..."
            (Almeida Garrett, "Viagens na minha terra".)


TEXTO II:
"Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes.
A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.
Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. (...)
Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique."
            (José de Alencar, "O guarani".)


TEXTO III:
"Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes."
            (Cláudio Manuel da Costa, "Sonetos-VII".)


EXTO I:
Ao longo do sereno
Tejo, suave e brando,
Num vale de altas árvores sombrio,
Estava o triste Almeno
Suspiros espalhando
Ao vento, e doces lágrimas ao rio.
            (Luís de Camões, "Ao longo do sereno".)

TEXTO II:
Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas,
so aqueste ramo destas auelanas
e quen for louçana, como nós, louçanas,
se amigo amar,
so aqueste ramo destas auelanas
uerrá baylar.
            (Aires Nunes. In Nunes, J. J., "Crestomatia arcaica".)

TEXTO III:
Tão cedo passa tudo quanto passa!
morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
            (Fernando Pessoa, "Obra poética".)

TEXTO IV:
Os privilégios que os Reis
Não podem dar, pode Amor,
Que faz qualquer amador
Livre das humanas leis.
mortes e guerras cruéis,
Ferro, frio, fogo e neve,
Tudo sofre quem o serve.
            (Luís de Camões, "Obra completa".)

TEXTO V:
As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
            (Mário de Sá Carneiro, "Poesias".)
O motivo do "carpe diem" ("aproveita o dia", em latim) expressa, em geral, o gosto de viver plenamente a vida, de usufruir os dons da beleza e a energia da juventude, enquanto o tempo permitir. Esse motivo aparece nos textos
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) IV e V.
e) I e V.


UFSCAR

Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado.
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era:
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!

            (Cláudio Manuel da Costa. "Sonetos (VlI)". In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva (Intr., sel. e notas): POESIA DO OUTRO - ANTOLOGIA. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p. 47.)

O estilo neoclássico, fundamento do Arcadismo brasileiro, de que fez parte Cláudio Manuel da Costa, caracteriza-se pela utilização das formas clássicas convencionais, pelo enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível, pela delegação da fala poética a um pastor culto e artista, pelo gosto das circunstâncias comuns, pelo vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a sensibilidade, a razão, a natureza e a beleza. Dadas estas informações,

a) indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema.

b) transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática.


UNICAMP - 2008 - 2ª FASE


UNICAMP 2008 – 2ª FASE – LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

QUESTÃO 1

(Gonsales, Fernando, “Níquel Náusea”. Folha de São Paulo on line em www.uol.com.br/niquel)

a) No primeiro quadrinho, a menção a ‘palavrões’ constrói uma expectativa que é quebrada no segundo quadrinho.
Mostre como ela é produzida, apontando uma expressão relacionada a ‘palavrões’, presente no primeiro quadrinho, que ajuda na construção dessa expectativa.

b) No segundo quadrinho, o cômico se constrói justamente pela quebra da expectativa produzida no quadrinho anterior. Entretanto, embora a relação pressuposta no primeiro quadrinho se mantenha, ela passa a ser entendida num outro sentido, o que produz o riso. Explique o que se mantém e o que é alterado no segundo quadrinho em termos de pressupostos e relações entre as palavras.

.

QUESTÃO 2

A carta abaixo reproduzida foi publicada em outubro de 2007, após declaração sobre a legalização do aborto feita por Sérgio Cabral, governador do Estado do Rio de Janeiro.
Sobre a declaração do governador fluminense, Sérgio Cabral, de que “as mães faveladas são uma fábrica de produzir marginais”, cabe indagar: essas mães produzem marginais apenas quando dão à luz ou também quando votam?
(Juarez R. Venitez, Sacramento-MG, seção Painel do Leitor, Folha de São Paulo, 29/10/2007.)

a) Há uma forte ironia produzida no texto da carta. Destaque a parte do texto em que se expressa essa ironia.
Justifique.

b) Nessa ironia, marca-se uma crítica à declaração do governador do Rio de Janeiro. Entretanto, em função da presença de uma construção sintática, a crítica não incorre em uma oposição. Indique a construção sintática que relativiza essa crítica. Justifique.



QUESTÃO 3

O seguinte enunciado está presente em uma campanha publicitária de provedor de Internet:
Finalmente um líder mundial de Internet que sabe a diferença entre acabar em pizza e acabar em pizza. Terra. A Internet do Brasil e do mundo.

a) A propaganda joga com um duplo sentido da expressão “acabar em pizza”. Qual é o duplo sentido?

b) A propaganda trabalha com esse duplo sentido para construir a imagem de um provedor que se insere em âmbitos internacional e nacional. De que modo a expressão “acabar em pizza” ajuda na construção dessa
imagem?



Os versos seguintes fazem parte do poema “Um chamado João” de Carlos Drummond de Andrade em homenagem póstuma a João Guimarães Rosa. Trabalhe as questões 4 e 5 a partir da leitura do poema.

Um chamado João
João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?

Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
(...)
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
(...)
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.

(Carlos Drummond de Andrade, em Correio da Manhã, 22/11/1967, publicado
em Rosa, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)

QUESTÃO 4

a) No título, ‘chamado’ sintetiza dois sentidos com que a palavra aparece no poema. Explique esses dois sentidos, indicando como estão presentes nas passagens em que ‘chamado’ se encontra.

b) Na primeira estrofe do poema, ‘fábula’ é derivada em ‘fabulista’ e ‘fabuloso’. Mostre de que modo a formação morfológica e a função sintática das três palavras contribuem para a formação da imagem de Guimarães Rosa.



QUESTÃO 5

Na segunda estrofe, há dois processos muito interessantes de associação de palavras. Em “inenarrável/narrada” encontramos claramente um processo de derivação. Em “disfarçar/farçar”, temos a sugestão de um processo semelhante, embora ‘farçar’ não conste dos dicionários modernos.
a) Relacione o significado de ‘inenarrável’ com o processo de sua formação; e o de ‘farçar’, na relação sugerida no poema, com ‘disfarçar’.

b) Explique como esses processos contribuem na construção dos sentidos dessa estrofe.


QUESTÃO 6

O texto abaixo é extraído de artigo jornalístico no qual se comparam duas notícias que chamaram a atenção da imprensa brasileira no mês de outubro de 2007: de um lado, o caso entre o senador Renan Calheiros e a jornalista Mônica Veloso; de outro, o artigo em que o apresentador de TV Luciano Huck expressa sua indignação contra o roubo de seu relógio Rolex.

Aparentemente, o que aproxima todos esses personagens é a disputa por um objeto de desejo. No caso dos assaltantes de Huck, por estar no pulso de um “bacana”, mais que um relógio, o objeto em questão aparece como um equivalente geral que pode dar acesso a outros objetos (...). Presente de sua mulher, a igualmente famosa apresentadora global Angélica, um relógio desse calibre é sinal de prestígio, indicando um lugar social que, no Brasil, costuma “abrir portas” raras vezes franqueadas à maior parte da população. (...) Mais afinado com as tradições patriarcais de seu estado natal, Renan aparece nos noticiários, bem de acordo com a chamada “preferência nacional” dos anúncios de cerveja. Daí que não seja possível, em ambos os episódios, associar os casos em questão àquele “obscuro objeto de desejo” que dá título a um dos mais instigantes filmes de Luís Buñuel. Tratavase, para o cineasta, de mostrar como um desejo singular, único, podia engendrar um objeto de grande opacidade. Em direção oposta, tanto na parceria Calheiros/Veloso, quanto no confronto Huck/assaltantes, há uma espécie de exibição ostensiva dos objetos em jogo, como que marcando a coincidência de desejos que perderam sua singularidade para cair na vala comum das banalidades.
(Adaptado de Eliane Robert Moraes, Folha de São Paulo, 14/10/2007, grifos nossos.)

a) Um dos usos de aspas é o de destacar elementos no texto. Explique a finalidade desse destaque nas seguintes expressões presentes no texto: “bacana”, “abrir portas” e “preferência nacional”.

b) No caso de “obscuro objeto de desejo”, as aspas marcam o título de um filme de Buñuel. Explique como a referência a esse título estabelece uma oposição fundamental para a argumentação do texto.




QUESTÃO 7

O poema abaixo, de Carlos Drummond de Andrade, pertence ao livro A rosa do povo (1945), que reúne composições
escritas na época da Segunda Guerra Mundial e da ditadura do Estado Novo no Brasil:

Passagem da Noite



É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,


as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!











a) Explique o sentido metafórico da noite e o uso do verbo sentir, na 1ª- estrofe.

b) Explique o sentido metafórico do dia e o sentimento a ele associado, na 2ª- estrofe.



QUESTÃO 8

Na seguinte passagem do capítulo LXXX (“Venhamos ao capítulo”), de Dom Casmurro, o narrador trata da promessa feita por D. Glória.

Um dos aforismos de Franklin é que, para quem tem de pagar na páscoa, a quaresma é curta. A nossa quaresma não foi mais longa que as outras, e minha mãe, posto me mandasse ensinar latim e doutrina, começou a adiar a minha entrada no seminário. É o que se chama, comercialmente falando, reformar uma letra. O credor era arquimilionário, não dependia daquela quantia para comer, e consentiu nas transferências de pagamento, sem querer agravar a taxa do juro. Um dia, porém, um dos familiares que serviam de endossantes da letra, falou da necessidade de entregar o preço ajustado; está num dos capítulos primeiros. Minha mãe concordou e recolhi-me a S.José.

a) Quem lembrou D. Glória da promessa e qual seu vínculo com a família dela?

b) Explique o uso da linguagem comercial no trecho citado anteriormente e no romance.



QUESTÃO 9

O poema abaixo pertence a O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro:

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

(Fernando Pessoa, Obra Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1983, p.142.)

a) Explique a oposição estabelecida entre a aldeia e a cidade.

b) De que maneira o uso do verso livre reforça essa oposição?





QUESTÃO 10

O trecho abaixo pertence ao capítulo VIII de A cidade e as serras, em que se narra a viagem de Jacinto a Tormes.

Trepávamos então alguma ruazinha de aldeia, dez ou doze casebres, sumidos entre figueiras, onde se esgaçava, fugindo do lar pela telha-vã o fumo branco e cheiroso das pinhas. Nos cerros remotos, por cima da negrura pensativa dos pinheirais, branquejavam ermidas. O ar fino e puro entrava na alma, e na alma espalhava alegria e força. Um esparso tilintar de chocalhos de guizos morria pelas quebradas...
Jacinto adiante, na sua égua ruça, murmurava:
— Que beleza!
E eu atrás, no burro de Sancho, murmurava:
— Que beleza!
Frescos ramos roçavam os nossos ombros com familiaridade e carinho.

(Eça de Queiroz, Obra Completa. Beatriz Berrini (org.). Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1997, Vol.II, pp. 561, grifos nossos.)

a) O que o trecho revela da visão de Jacinto sobre a aldeia e que afinidade existe entre essa visão e a de Alberto Caeiro no poema da questão anterior.

b) Explique a relação entre o protagonista e a paisagem nas duas frases sublinhadas.



QUESTÃO 11

Leia o seguinte trecho do capítulo “Contas”, de Vidas Secas.

Tinha a obrigação de trabalhar para os outros, naturalmente, conhecia do seu lugar. Bem. Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? Se lhe dissessem que era possível melhorar de situação, espantar-se-ia. (...) Era a sina. O pai vivera assim, o avô também. E para trás não existia família. Cortar mandacaru, ensebar látegos — aquilo estava no sangue. Conformava-se, não pretendia mais nada. Se lhe dessem o que era dele, estava certo. Não davam. Era um desgraçado, era como um cachorro, só recebia ossos.
Por que seria que os homens ricos ainda lhe tomavam uma parte dos ossos? Fazia até nojo pessoas importantes se ocuparem com semelhantes porcarias.

(Graciliano Ramos, Vidas Secas. 103ª. ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, p.97.)

a) Que visão Fabiano tem de sua própria condição? Justifique.

b) Explique a referência que ele faz aos “homens ricos” com base no enredo do livro.



QUESTÃO 12

O trecho abaixo pertence ao capítulo XXII (“Empenhos”), de Memórias de um Sargento de Milícias.

Isto tudo vem para dizermos que Maria-Regalada tinha um verdadeiro amor ao Major Vidigal; o Major pagava-lho na mesma moeda. Ora, D. Maria era uma das camaradas mais do coração de Maria-Regalada. Eis aí porque falando dela D. Maria e a comadre se mostraram tão esperançadas a respeito da sorte do Leonardo.
Já naquele tempo (e dizem que é defeito do nosso) o empenho, o compadresco, era uma mola real de todo o movimento social.

(Manuel Antonio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias. Mamede Mustafá Jarouche (org.). Cotia: Ateliê Editorial, 2000, p. 319.)

a) Explique o “defeito” a que o narrador se refere.

b) Relacione o “defeito” com esse episódio, que envolveu o Major Vidigal e as três mulheres.







Que os judeus no Brasil se conscientizem disso!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Apimentário: Delírios sexuais juvenis




Photo candid on set of "Streetcar Named D...
Photo candid on set of "Streetcar Named Desire", left to right, Karl Malden, Kim Hunter, Kazan, Marlon Brando, Vivien Leigh, Rudy Bond (Photo credit: Wikipedia)
Directing Natalie Wood and Warren Beatty, 1961
Elia Kazan é um dos maiores diretores norte-americanos de todos os tempos, suas obras são magníficas, abordando sempre temas polêmicos e relevantes. Citando alguns de seus melhores trabalhos, "A Luz é Para Todos" aborda o anti-semitismo, trazendo Gregory Peck como um jornalista que se passa por um judeu; "Sindicato de Ladrões" tem um tema político, estrelando Marlon Brando como um ex-boxeador que luta contra um sindicato de corruptos; "Vidas Amargas" retrata o drama de um jovem (James Dean) e sua dificuldade de relacionamento com o pai e "Uma Rua Chamada Pecado", com certeza o seu filme com o maior peso dramático, é a película com aspectos bastante semelhantes ao filme criticado aqui, sexualmente falando.
"Clamor do Sexo", depois de "Uma Rua", é o filme mais polêmico de Kazan. Os belíssimos Bud (Warren Beatty) e Deani (Natalie Wood) são jovens que formam um casal apaixonado no final dos anos 20, um ano antes da Grande Depressão. Bud é herdeiro de uma grande companhia de petróleo, já Deani é filha de um doceiro, mas a diferença econômica não é nem de longe o principal fator que vai interferir em seu relacionamento. E qual é então o fator principal? O simples e puro desejo sexual. Ora, estamos falando dos anos 20, uma época em que uma garota 'de família' não podia nem cogitar a idéia de transar com seu namorado antes do casamento, por mais que o desejo aflorasse. Na verdade, o desejo da mulher tinha que ser totalmente reprimido, como diz a mãe de Deani à filha: - Só fazemos essas coisas para satisfazer os nossos maridos, para reprodução. A mulher não sente tanta vontade quanto o homem. Com esse diálogo, vemos que realmente muita coisa mudou em menos de cem anos, e a década de 20 seria o ponto de partida para as grandes mudanças ocorridas nesse século....

Trecho do texto de Gian Luca para ler o texto completo acesso o link - Clamor do Sexo
Poema de Wordsworth declamado por Deani no fim do filme:

"What though the radiance which was once so bright Be now for ever taken from my sight, Though nothing can bring back the hour Of splendour in the grass, of glory in the flower; We will grieve not, rather find Strength in what remains behind"
 ~
Tradução.
“O que de esplendor outrora tão brilhante agora seja tomado de minha vista para sempre. Apesar que nada pode trazer de volta a hora de esplendor na relva, de glória numa flor, não nos afligiremos. Encontraremos forças no que ficou para trás.” Wordsworth


Apimentário: Delírios sexuais juvenis: Elia Kazan já tinha a consciência que falar de sexo não é simples, ainda mais quando o senso volta-se ao universo da juventude — com toda su...

José

José